Eu sei, eu sei, mais uma coluna sobre tênis. Mas não dá para deixar passar batido a final do US Open que rolou domingo passado e que poderia ter sacramentado o sérvio Novak Djokovic como o maior jogador da história.

Eu digo “poderia” porque Djokovic se esqueceu de combinar com o russo Daniil Medvedev, que o aniquilou por três sets a zero e impediu Djokovic não só de passar o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal como o maior ganhador de Grand Slams de todos os tempos (os três estão empatados com 20 títulos), como de completar, pela primeira vez desde o australiano Rod Laver, em 1969, o Grand Slam, vencendo os quatro torneios mais importantes – Austrália, Roland Garros, Wimbledon e U.S. Open – no mesmo ano.

Não foi dessa vez que Djoko chegou sozinho ao Olimpo do tênis, mas acho que isso não deve demorar. O domínio dele em 2021 foi impressionante: até agora, venceu 44 de 50 partidas e ganhou quatro títulos. Este ano, o sérvio ultrapassou Federer como o tenista que ficou por mais semanas (338) no topo do ranking da ATP.

A discussão sobre quem é o melhor tenista de todos os tempos é fascinante e interminável. Muitos gênios do esporte poderiam ter obtido mais vitórias se não tivessem jogado contra outros ases. Quantas Slams Andre Agassi teria vencido se não tivesse enfrentado Pete Sampras tantas vezes? Já imaginou como seria o retrospecto de Chris Evert se Martina Navratilova não tivesse existido?

Acho que ninguém tem dúvidas de que, nos últimos 15 anos, vivemos uma época especial para o tênis, em que três jogadores fora de série – Federer, Nadal e Djokovic – jogaram juntos. Também acredito que números não mentem, e eles indicam que o sérvio é o melhor. Atualmente, Djokovic tem vantagem de vitórias contra Federer (27 a 23) e Nadal (30 a 28). Se vencer o próximo Slam, em janeiro, na Austrália, o que é bastante provável – Djoko venceu as últimas três edições em um total de nove – chegaria a 21 Slams, superando Federer e Nadal.

Outro indício da superioridade de Djokovic é a variedade de seus títulos. Enquanto Nadal venceu 13 de seus 20 Slams no saibro de Roland Garros, o sérvio ganhou dois títulos na França (2016 e 2021, este batendo Nadal na semi), enquanto Federer venceu apenas um no saibro (2009).

Fortes emoções nos aguardam.

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