Muitos esportistas têm superstições e tiques nervosos, mas os tenistas parecem ser especialmente chegados em mandingas. Talvez seja a própria dinâmica do jogo que clame por algum tipo de ritual: o tênis é um esporte extremamente solitário e repetitivo; atletas estão sozinhos em quadra e, com exceção de poucos torneios, não podem falar com seus técnicos durante uma partida.

Muitos atletas têm rituais próprios durante o jogo: Serena Williams precisa amarrar os tênis de uma determinada maneira para ganhar confiança. Já o francês Richard Gasquet, quando ganha um ponto, exige que os “boleiros” lhe devolvam a mesma bola, para que ele a use no saque seguinte.

Uma das mais famosas superstições do tênis vem do multicampeão Rafael Nadal: durante os intervalos entre pontos, o espanhol evita pisar nas linhas da quadra e, quando passa por cima de uma linha, sempre o faz com o pé direito. Observe:

Outro tenista muito supersticioso era Andre Agassi. Em sua autobiografia “Agassi” – aliás, um dos melhores e mais emocionantes relatos autobiográficos do esporte – o norte-americano relata diversas manias que tinha em quadra. A mais peculiar começou em 1999, quando foi disputar o Aberto da França em Roland Garros, então o único Grand Slam que não havia conquistado.

Na primeira rodada, Agassi chegou ao vestiário e percebeu que não havia levado uma cueca para o jogo. Seu técnico na época, Brad Gilbert, se ofereceu para empestar uma. “Cara, eu prefiro jogar sem nada a usar a sua cueca”, respondeu Agassi. Foi o que ele fez. E ganhou o jogo. E depois outro, e mais um, até chegar à final contra o ucraniano Andrei Medvedev, que Agassi venceu espetacularmente, depois de estar perdendo por dois sets a zero. “Desde aquele dia até o fim da minha carreira, nunca mais usei cueca em quadra.”

Esses dias, Agassi completou 51 anos, e um vídeo de alguns anos atrás voltou a circular na Internet. Nele, Agassi conta como a observação do tique de um adversário o ajudou a vencer o rival.

O adversário era o alemão Boris Becker. Nas três primeiras vezes em que jogaram, Becker destruiu Agassi, em especial devido ao seu poderoso e certeiro saque. Agassi simplesmente não conseguia conter o saque de Becker, sempre muito forte e bem colocado.

Agassi reuniu fitas de jogos do rival e começou a analisá-las. Depois de muita observação, percebeu um detalhe intrigante: Becker tinha a mania de, na hora de sacar, botar a língua para fora. “Comecei a notar que, toda vez que a língua de Boris saía no meio de sua boca, ele sacava na paralela; quando a língua aparecia no canto da boca, o saque vinha cruzado”.

Dos 11 jogos seguintes contra Becker, Agassi venceu nove.

“Um dia, estávamos na Oktoberfest, na Alemanha, e fomos tomar uma cerveja. Eu não aguentei e contei pro Boris como eu havia descoberto o segredo de sua língua. Ele quase caiu da cadeira. ‘Não acredito!’, disse o alemão. ‘Eu costumava dizer pra minha mulher, depois dos jogos, que parecia que você lia meu pensamento!’”

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