O Pleno do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) adiou o julgamento do recurso do caso de injúria racial do zagueiro Diego, do Batel, contra o zagueiro Paulo Vitor, conhecido como PV, durante jogo da Taça FPF. O Tribunal, que iria julgar na última quinta-feira (06), marcou uma sessão extraordinária para a próxima terça-feira (11), às 18h.

A Procuradoria do TJD-PR apresentou o recurso no dia 26 de outubro, mas a secretaria do Tribunal só o juntou ao processo no dia previsto para o julgamento. Desta forma, a Defensoria Pública, que defende o zagueiro Diego, não teve tempo hábil para analisá-lo.

Se o caso tivesse sido julgado na data original, o advogado Christiano de Souza Neto afirmou que teria que fazer uma “defesa genérica” por não ter tido acesso prévio ao recurso da Procuradoria. O presidente do TJD-PR, José Eduardo Quintas de Mello, sugeriu o adiamento para dar a oportunidade da Defensoria Pública realizar a defesa de Diego.

“Eu não entendo que fazer uma defesa genérica estaria respeitando o princípio do contraditório da ampla defesa. É óbvio que será consignado que aconteceu tudo hoje, mas se vossa excelência entender que não consegue defender seu constituinte de forma necessária, não vejo outra saída a não ser o adiamento deste processo”, afirmou Quintas de Mello.

Vítima de racismo leva pena maior que agressor na Taça FPF

Em outubro, A 2ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná TJD-PR puniu o volante Diego. No entanto, Paulo Vitor, que foi xingado de “macaco”, recebeu uma pena maior.

O episódio aconteceu no último dia 4 de outubro, em Guarapuava, no interior do Paraná. Durante a partida, Diego chamou PV de “macaco” durante uma discussão dentro da área. O jogador do Nacional reagiu com um soco no adversário, que precisou deixar o campo de ambulância.

Durante o julgamento, Diego afirmou que havia chamado o adversário de “malaco”, e não de “macaco”. Mesmo assim, foi punido por unanimidade com sete jogos de suspensão e multa de R$ 2 mil. A pena máxima prevista pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) para esse tipo de infração seria de dez partidas e multa de até R$ 100 mil.

A punição mais severa do julgamento, contudo, foi aplicada a Paulo Vitor. O zagueiro do Nacional recebeu dez jogos de suspensão — quatro pelo soco em Diego e seis por ter cuspido no adversário. O atleta negou a acusação de cuspir, mas os auditores entenderam que as imagens do jogo confirmavam o ato e optaram pela condenção.

O Batel também foi julgado por omissão no caso e por supostamente tentar esconder Diego, que havia deixado o estádio de ambulância. No entanto, o Tribunal inocentou o clube de Guarapuava, levando em conta que ele repudiu publicamente a atitude do jogador nas redes sociais e o demitiu no dia seguinte ao episódio.

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