Com apenas dois jogos realizados na rodada de estreia do Estadual – Cianorte x Athletico e Operário x Azuriz –, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) se movimenta nos bastidores para tentar evitar o adiamento completo segunda rodada do torneio.

As secretarias de saúde de Cascavel, Londrina e Maringá, cidades que têm duelos marcados para quarta-feira (3), já sinalizaram que o futebol está vetado até o fim do decreto estadual, no dia 8 de março. Elas foram aconselhadas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), com base nas medidas restritivas referentes à pandemia de Covid-19.

A prefeitura de Pato Branco, que abriga Azuriz x FC Cascavel também na quarta, não se pronunciou sobre o assunto até aqui.

Originalmente marcada para terça-feira (2), na Vila Capanema, a partida entre Paraná e Londrina já foi oficialmente adiada. A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, assim como aconteceu no confronto Coritiba x Cascavel CR, não autorizou a realização do duelo.

O que acontece agora?

A FPF tem duas opções. A primeira é tentar que a Secretaria Estadual de Saúde (SESA) interfira junto às prefeituras e ao MPPR apontando que o protocolo adotado no campeonato é seguro.

Como há testagem periódica para o novo coronavírus e ausência de público, o próprio secretário Beto Preto havia deixado claro que o futebol profissional poderia seguir durante a validade do decreto.

Além da estratégia política, a Federação também estuda, como plano B, alterar os locais das partidas. Estádios onde as prefeituras não imponham restrição aos jogos seriam utilizados.

O Albino Turbay, em Cianorte, por exemplo, seria uma saída para Maringá x Coritiba. "Estamos em contato com o Coritiba, tentando viabilizar, e estudando fazer em outra cidade. E também via Federação, reverter com o Ministério Público. Corremos o risco de um promotor recomendar o cancelamento sem sequer saber do nosso protocolo", diz o presidente do Maringá, João Vitor Mazzer.

Segundo ele, o clube, que viajou para Londrina e viu a insólita cena de uma viatura da Guarda Municipal parada no campo, voltou para casa com um prejuízo importante.

"Fizemos cerca de 40 testes PCR, que é um teste caro. Mais o transporte, além de toda a preparação que foi perdida – e o ônus que podemos ter depois. O prejuízo direto é de uns R$ 10 mil, mas o indireto pode custar o campeonato", reclama o dirigente.

Despesas e mais despesas

A reportagem apurou que o Paraná, que viajou 500 km para enfrentar o FC Cascavel, em jogo adiado do sábado (27), perdeu R$ 17 mil somente com o transporte até a cidade do Oeste.

Já o Cascavel CR, que enfrentaria o Coxa no Couto Pereira, também contabiliza as despesas. Entre os custos de viagem, hospedagem e testagem, a conta passa de R$ 12 mil, de acordo com o empresário Rodrigo Reis, da 2RA, empresa que compartilha a gestão do time.

"Não podemos ter uma suspensão do campeonato pagando atletas, pagando alimentação. Os clubes não se sustentam. Até por que o nosso campeonato é um dos que menos recebe recursos. Nossa cota de TV é uma das menores. Já é difícil, e com uma condição de pandemia, com um custo de R$ 60 mil de exames de Covid-19 [para todo o torneio], se não forem autorizados os jogos fica inviável fazer o campeonato", alerta.

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