O clássico Atletiba desta sexta-feira (11), válido pela 27ª rodada do Brasileirão, no Couto Pereira, terá dois goleiros com uma origem em comum. Pedro Morisco, do Coritiba, e Mycael, do Athletico, devem ser titulares no confronto e estarão novamente frente a frente no maior clássico do Paraná.

Nascidos em 2004, os dois são considerados goleiros promissores de suas gerações. Morisco foi campeão da Série B com o Coxa, já soma mais de 100 jogos como profissional e, na última quarta-feira (9), foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira, enquanto Mycael acumulou convocações para as seleções de base e ganhou espaço no time principal do Athletico. Recentemente, o goleiro retomou a condição de titular após as falhas de Santos, que vinha ocupando a posição.

Antes de defenderem lados opostos na principal rivalidade do futebol paranaense, porém, os dois treinaram no mesmo lugar e vestiram a mesma camisa: a do Trieste, tradicional clube de Santa Felicidade e conhecido pelo trabalho de formação de jovens jogadores.

Morisco e Mycael começaram no Trieste

Pedro Morisco chegou primeiro. Curitibano, começou a frequentar as escolinhas do Trieste ainda aos nove anos e chamou atenção principalmente pela qualidade técnica. Leonardo Stival, então preparador de goleiros do clube, foi um dos profissionais que apostaram no jovem, mesmo quando o biotipo ainda não apontava para o padrão normalmente buscado na posição.

Em 2015, Morisco foi aprovado em uma avaliação no Coritiba e iniciou o caminho nas categorias de base no CT da Graciosa. Anos depois, estreou profissionalmente pelo Coxa e se consolidou como um dos principais jogadores revelados recentemente pelo clube.

Mycael percorreu uma distância bem maior até Santa Felicidade. Natural de Porto Velho, em Rondônia, chegou ao Trieste por volta dos 11 anos, depois de se destacar em uma avaliação realizada no Norte do país.

O goleiro havia passado despercebido em uma primeira oportunidade, mas chamou atenção em uma nova peneira, realizada debaixo de chuva e com o gramado pesado. Depois, seguiu para as categorias de base do Athletico, clube com o qual o Trieste mantinha parceria naquele período.

Mycael, goleiro do Athletico, e Pedro Morisco, goleiro do Coritiba.

Trieste virou uma “fábrica de goleiros”

A presença de Mycael e Morisco no Atletiba não é um caso isolado. A formação de goleiros se tornou uma das marcas do trabalho desenvolvido no Trieste.

Léo Linck, que também chegou ao profissional do Athletico, passou pelo clube. Até profissionais responsáveis pela preparação de goleiros da dupla Atletiba tiveram ligação com o local: Thiago Mehl, do Coritiba, e Felipe Faria, do Athletico, desenvolveram parte das carreiras no Trieste.

Mehl chegou a participar do projeto chamado de “Fábrica de Goleiros”, criado para preparar jovens da posição antes de avaliações em grandes clubes. O trabalho ajudou o Trieste a se transformar em uma porta de entrada para atletas que posteriormente chegaram às principais categorias do futebol brasileiro.

Léo Pereira e Renan Lodi também passaram pelo clube

Além dos goleiros, a lista de jogadores formados pelo Trieste e que chegaram ao futebol profissional é extensa, principalmente com nomes que posteriormente defenderam o Athletico.

O zagueiro Léo Pereira começou a trajetória no Trieste aos 11 anos. Inicialmente lateral-esquerdo, mudou para a zaga ainda na formação e depois chamou a atenção de Athletico e Coritiba antes de seguir para o Furacão. Anos depois, chegou ao Flamengo e à seleção brasileira, onde disputou a Copa do Mundo de 2026.

Outro exemplo é Renan Lodi, hoje destaque do Atlético-MG. O lateral passou aproximadamente sete meses no Trieste antes de chegar ao Athletico, em 2012. Revelado profissionalmente pelo Furacão, posteriormente atuou no futebol europeu e também vestiu a camisa da seleção brasileira.

Marcos Guilherme, hoje no Johor FC, da Malásia, e Lucas Halter, no Houston Dynamo, da MLS, estão entre outros jogadores que também passaram pelo processo de formação ligado ao clube de Santa Felicidade.

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