O Campeonato Brasileiro de 2026 reserva um capítulo especial para o futebol paranaense. Depois de retornarem juntos à Série A, Athletico e Coritiba fazem campanhas que superam as expectativas.
Após a 25ª rodada, o Furacão ocupa a terceira colocação, com 45 pontos, enquanto o Coritiba aparece em sétimo, com 37. Mais do que encaminhar a permanência na primeira divisão, os dois clubes passaram a olhar para objetivos maiores na reta final.
O Athletico está consolidado na disputa por uma vaga na Libertadores e ainda tenta se aproximar dos líderes. O Coxa, por sua vez, está perto de alcançar a pontuação considerada necessária para evitar o rebaixamento e começa a sonhar com uma competição internacional, algo que não acontece desde 2016.
Equipes vêm da Série B
O desempenho chama ainda mais atenção porque os dois clubes disputaram a Série B em 2025. O Coritiba conquistou o título, enquanto o Athletico, depois de uma campanha de recuperação sob o comando de Odair Hellmann, terminou como vice-campeão.
A expectativa natural para os promovidos, seria uma temporada de adaptação e luta contra o rebaixamento. Em Curitiba, porém, o cenário é diferente. Com 13 rodadas restantes, a pergunta deixou de ser se Athletico e Coritiba vão permanecer na elite. Agora, o debate é até onde cada um pode chegar.
O UmDois Esportes separou três fatores, para cada clube, que ajudam a explicar as boas campanhas dos rivais.
Athletico: A melhor campanha da era dos pontos corridos
Kevin Viveros, homem-gol
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Nenhum jogador simboliza melhor a campanha do Athletico do que Kevin Viveros. O centroavante colombiano soma 17 gols no Brasileirão e disputa a artilharia da competição. Viveros é responsável por 45% dos gols da equipe na competição, uma dependência que, ao mesmo tempo, revela a qualidade do jogador e o risco que o time corre sem ele.
O colombiano de 26 anos chegou ao Athletico em 2025, indicado pelo próprio Odair Hellmann, por aproximadamente 5 milhões de dólares (cerca de R$ 28,9 milhões), a contratação mais cara da história do clube. Na Série B, já havia mostrado eficiência com 9 gols. Na Série A, porém, o salto de qualidade foi evidente.
Com explosão física para atacar a profundidade, boa impulsão e eficiência com ambas as pernas, Viveros se tornou o primeiro jogador do Athletico a marcar 14 gols numa mesma edição do Brasileirão desde Éderson, em 2013. A disputa pela artilharia com Pedro, do Flamengo, que soma 15 gols, promete se estender até o encerramento do campeonato.
A continuidade do trabalho de Odair Hellmann
A permanência de Odair Hellmann também ajuda a explicar a campanha. Contratado em maio de 2025 durante a Série B, o treinador assumiu um Athletico pressionado e comandou a recuperação que terminou com o acesso. Em vez de iniciar um novo projeto após a subida, a diretoria apostou na continuidade. O resultado aparece em campo.
O Athletico chegou à 25ª rodada com a melhor campanha do clube neste estágio do Brasileirão desde o início da era dos pontos corridos. A marca supera até temporadas em que o Furacão terminou entre os primeiros colocados.
Além do trabalho tático, Odair ganhou influência na construção do elenco. Viveros, por exemplo, foi uma indicação do treinador. Na última semana, o clube renovou o contrato do técnico até o fim de 2027. A continuidade permitiu ao Athletico começar a Série A com uma ideia de jogo já consolidada, enquanto outros concorrentes ainda buscavam ajustes durante o campeonato.
A fortaleza da Arena da Baixada
O Athletico também encontrou uma combinação normalmente associada às equipes que brigam na parte de cima: força como mandante e segurança defensiva.
Na Arena da Baixada, o Furacão soma 28 pontos em 13 partidas, com aproveitamento superior a 70%. O desempenho dentro de casa está entre os melhores do Brasileirão e sustenta a presença constante do clube no G-4.
A defesa também se destaca. O Athletico sofreu apenas 25 gols e aparece entre os melhores sistemas defensivos da competição. Enquanto Viveros concentra os holofotes no ataque, a organização sem a bola permite que o time permaneça competitivo mesmo quando o desempenho ofensivo cai.
A combinação entre um estádio difícil para os adversários, defesa consistente e um atacante decisivo ajuda a explicar por que o Athletico deixou rapidamente a condição de recém-promovido para entrar na disputa pela Libertadores.
Coritiba: Recém-promovido que se recusa a ser “time ioiô”
Força como visitante
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Se o Athletico fez da Arena uma fortaleza, o Coritiba encontrou boa parte dos seus pontos longe do Couto Pereira. O Coxa está entre os melhores visitantes do Campeonato Brasileiro e atravessa uma sequência de três meses sem perder fora de casa. A última derrota como visitante aconteceu no dia 30 de maio, diante do Flamengo, no Maracanã.
Depois da pausa para a Copa do Mundo, o Coritiba empatou como visitante com Red Bull Bragantino e São Paulo e venceu o Remo por 3 a 2, de virada, no Mangueirão.
O rendimento está diretamente relacionado à maneira como Fernando Seabra montou a equipe. Com organização defensiva e velocidade nas transições, o Coxa consegue oferecer perigo quando encontra espaços deixados pelos adversários.
Breno Lopes, Pedro Rocha e Joaquín Lavega são fundamentais nesse modelo, principalmente pela velocidade para transformar recuperação de bola em oportunidade de gol. Para um recém-promovido, conseguir pontuar com frequência fora de casa reduz a dependência do mando de campo e ajuda a explicar a campanha segura do clube.
Ataque divide responsabilidades
Enquanto Viveros concentra grande parte da produção ofensiva do Furacão, o Coritiba divide a responsabilidade entre diferentes jogadores, além de mostrar um salto enorme em relação a 2025, onde o ataque foi o ponto fraco da equipe.
Breno Lopes soma oito gols no Brasileirão. Pedro Rocha tem sete, enquanto Joaquín Lavega marcou cinco vezes. Juntos, os três respondem por boa parte dos gols alviverdes na competição.
Pedro Rocha também vem crescendo justamente na reta decisiva da temporada. Contra o Remo, marcou o gol da vitória por 3 a 2 no Mangueirão e reassumiu a artilharia do time na temporada, com 10 gols.
Essa diversidade dificulta a preparação dos adversários. O Coxa não depende de apenas um jogador para decidir as partidas e encontra alternativas pelos dois lados do campo, além das chegadas de jogadores de meio.
O trabalho tático de Fernando Seabra e jogo em contra-ataque
Fernando Seabra chegou ao Coritiba no fim de 2025 com a missão de preparar o clube para o retorno à Série A. A escolha foi por aproveitar uma base já formada e acrescentar peças específicas, em vez de promover uma reconstrução completa.
Jogadores importantes da campanha do acesso permaneceram, como Jacy, Pedro Morisco e Josué, enquanto nomes como Breno Lopes, Pedro Rocha, Joaquín Lavega, elevaram o nível do elenco.
No meio-campo, Josué segue como principal articulador e Sebastián Gómez oferece equilíbrio na saída de bola e na marcação. Ao longo da temporada, jovens formados no clube também passaram a ganhar espaço, como Vitor Tissi.
O resultado é uma equipe sem uma grande estrela, mas capaz de competir coletivamente contra adversários com investimentos superiores. Seabra encontrou um modelo baseado em organização, intensidade e transições rápidas. Mais importante: conseguiu fazer o Coritiba chegar à reta final sem carregar a característica que marcou outros retornos recentes à Série A que é a luta desesperada contra o rebaixamento.
Com 37 pontos após 25 rodadas, o Coxa está próximo da meta inicial dos 45 pontos. Depois dela, o objetivo pode mudar. E, pela primeira vez em uma década, a possibilidade de voltar a disputar uma competição continental.
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