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Marco Ruben, o poeta matador 

Por
Sandro Moser, especial para UmDois Esportes
06/02/2024 00:01 - Atualizado: 01/02/2024 23:43

Nunca houve um jogador como Marco Gastón Ruben Rodriguez

O centroavante argentino, fundamental na conquista da Copa do Brasil de 2019, não é homem de seu tempo. É um “menino velho” como dizem em Rosário, onde é lenda. Mesma cidade em que nasceram gênios da bola como Messi, Menotti, Bielsa e o Trinche Carlovich, o melhor jogador da história que nunca foi, pois trocou uma convocação à seleção por uma pescaria. 

Marco Ruben é dessa linhagem. Não tem staff, nem Instagram. É líder pela bola e pela conduta. Um canalla de caráter. Dentro de campo, um goleador extraordinário que não sabia o nome do adversário do dia. Gostava de dar um só toque na bola para fazê-la escorrer no barbante.

Fora de campo, fazia tudo do seu jeito. Gostava de pescar e só falava o necessário, sempre para cobrar os mais fortes e nunca para humilhar os mais fracos. Quando possível fazia versos, a popular payada de redondilha e rima, tão comum no sul do Brasil, Uruguai e Argentina.

Peço perdão aos amigos, pois pensar já não consigo que seja de outra maneira ao lembrar que já no outono de sua linda carreira, Marco soube que viria ter em terra brasileira e meteu seu automóvel numa longa carretera, entre a fumaça e a poeira, correndo para dar  alegria ao povo que ergue a caveira.  

Quando desce o vinho e a palavra sobe, me lembro daquele abril quando cheio de espanto o país assistiu o furacão que varreu da rés do chão brasileiro tudo o que havia sobrado do velho orgulho bostero. Por três vezes, o matador rompeu dos xeneizes o arco e para além do mal e do bem, Sedenir dizia “Marco” e o povo gritava “Ruben”.

Depois, veio o bochincho contra os índios de berro grosso, que se acham imortais sem saber o que é o sobrosso. Com sabença de burro velho e coragem de tigre moço foi que Marco apareceu e aplicou-lhes a testada. O imortal desfaleceu e estava escrita a história de nossa maior remontada. 

Mas o que é bom se termina. Cumpriu-se o velho ditado e o payador da grande área voltou para sua Argentina, deixando o rastro mudo de sua fúria assassina e uma saudade brasina de um artilheiro poeta, implacável e gente fina.

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