Titular absoluto da meta, e próximo de chegar ao jogo 200 com a camisa do Athletico, o goleiro Santos cada vez mais se consolida na história do clube. No CT do Caju desde 2008, Aderbar Melo dos Santos Neto coleciona títulos estaduais, nacionais e até internacionais pelo Furacão. Tudo de forma rápida, desde que assumiu a titularidade.

No entanto, demorou para se firmar no time. A estreia no grupo principal do Furacão foi apenas em 2011. Sempre na reserva de Weverton, tinha poucas oportunidades. Até que o então camisa 12 foi para o Palmeiras, em 2018, e aí Santos não saiu mais.

Aos 30 anos, já é um dos arqueiros que mais vestiu a camisa atleticana na história. No total, são 197 jogos, o último diante do Santos, no sábado, na Baixada. Números que, somados aos títulos, colocam o paraibano num seleto grupo de nomes importantes como Caju, Flávio, Marolla, Roberto Costa e Altevir.

As qualidades de Santos por goleiros históricos do Athletico

Goleiros, que marcaram a posição nos 96 anos do Furacão, que acreditam que o atual titular tem enormes méritos e faz por merecer o status de ídolo do torcedor.

"É um grande goleiro, que gosto de ver. Eu me vejo nele, é tranquilo, calmo, não é espalhafatoso, não toma gol fácil. Tanto que chegou à seleção brasileira", comenta o ex-goleiro Roberto Costa, o "Mão de Anjo", que defendeu o Athletico entre 1978 e 1983 e de 1986 a 1987, bicampeão estadual pelo clube.

Roberto Costa, o Mão de Anjo. Arquivo GRPCOM
Roberto Costa, o Mão de Anjo. Arquivo GRPCOM

"Eu tenho visto direto jogos do Athletico e ele vai muito bem na reposição de bola, saída do gol, é elástico. O Athletico sempre foi bem servido no gol e ele está mantendo essa tradição", acrescenta Marolla, que vestiu a camisa 1 do Furacão de 1985 até 1990 e foi tricampeão estadual.

Marolla, ídolo da torcida. Arquivo GRPCOM
Marolla, ídolo da torcida. Arquivo GRPCOM

Outro que elogia o trabalho de Santos é Altevir, que jogou pelo clube entre 1972 e 1977 e é o recordista na meta em jogos sem tomar gols, 11 partidas em 1977. Para ele, as qualidades do atual camisa 1 atleticano vão além das quatro linhas.

"Ele tem uma frieza muito grande, não é espalhafatoso, tem uma saída de bola muito boa, além de tudo é uma pessoa com um caráter espetacular", ressalta o ex-arqueiro, que conheceu de perto a evolução de Santos. O filho de Altevir, Christopher Sales, foi preparador de goleiros do Rubro-Negro na base e no principal.

Altevir, o recordista.  Arquivo GRPCOM
Altevir, o recordista. Arquivo GRPCOM

Primeiro goleiro campeão nacional pelo Rubro-Negro, Flávio destaca os pontos fortes do companheiro de posição. "Ele é muito bom goleiro mesmo, é tranquilo, é muito frio e acho que isso é fundamental para ele chegar até onde chegou", aponta o ex-jogador, tetracampeão estadual e titular no título brasileiro de 2001.

Flávio, o Pantera. Arquivo GRPCOM
Flávio, o Pantera. Arquivo GRPCOM

Santos é o maior goleiro da história do Athletico? Os colegas respondem

Somam-se a estes números de jogos os títulos do Paranaense em 2016, 2018 e 2020, a Copa Sul-Americana, em 2018, e Copa do Brasil e a Levain Cup, ambas em 2019, além de ser convocado para a seleção brasileira.

Diante de tantas conquistas, Santos é visto como um dos maiores goleiros da história rubro-negra pelos seus antecessores. Para Roberto Costa, ele tem tudo para assumir esse posto, mas destacou a importância de Caju, que é apontado por muitos como o grande arqueiro atleticano.

"Em termos de títulos, sim, ele tem condições de ser o maior goleiro do clube. Mas na história se comenta muito do Caju. De qualquer forma, o Santos é um dos maiores já", destaca.

  • Albari Rosa/Gazeta do Povo
  • Um dos destaques da conquista nacional. Albari Rosa/Gazeta do Povo
  • O goleiro beija a taça da Copa do Brasil no Beira-Rio. Albari Rosa/Gazeta do Povo
  • Santos defende o Furacão na Bombonera. Albari Rosa/Gazeta do Povo
  • Arquivo/Gazeta do Povo
  • Santos defende pênalti que valeu a vaga na decisão da Copa do Brasil. Jonathan Campos/Arquivo/Gazeta do Povo

Altevir também acredita que Caju ainda é o principal arqueiro que já passou pelo Furacão. Mas destacou que existem algumas circunstâncias que impedem uma comparação entre ambos.

"Não à toa está na seleção, com certeza está na história do Athletico. A maior referência no clube é o Caju, e acho que ele dificilmente vai ser batido. Mas são épocas diferentes, é difícil comparar. Cada um tem sua história e o Santos com certeza está entre os melhores", explica.

Ao centro, o lendário Caju. Arquivo.
Ao centro, o lendário Caju. Arquivo.

Flávio e Marolla destacaram que historicamente o Athletico sempre contou com bons camisas 1, mas que Santos está no caminho para superar grandes nomes e chegar ao topo definitivamente.

"Pelo que ele tem feito, os títulos conquistados, é goleiro de seleção e está aí para ser realmente um dos maiores vencedores dentro do clube. Tem todas as qualidades e já provou isso. Mas o Athletico sempre teve bons goleiros, é uma escola muito boa", afirma o Pantera.

"Com certeza ele é um dos maiores do clube, sempre foi muito bom. Se continuar assim, poderá ser o maior, mas é difícil a comparação, pois muda muitos fatores com o tempo", aponta Marolla.

Em 2018, a Gazeta do Povo publicou um perfil do goleiro Santos; clique e leia!

Arte: Oswalter Urbinati/Gazeta do Povo
Arte: Oswalter Urbinati/Gazeta do Povo
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