27 de maio de 2021. A trajetória dentro das quatro linhas chegou ao fim. Após 23 anos de carreira, Lucho González disputou nesta quinta-feira (27) o seu último jogo.

Com a camisa 3 do Athletico, contra o Aucas, pela Sul-Americana, o argentino colocou ponto final na trajetória como jogador, recheada de conquistas. O Furacão goleou a equipe equatoriana por 4 a 0 na Arena da Baixada, pela última rodada da fase de grupos da Sul-Americana.

Lucho se aposenta e recebe homenagens em despedida dos gramados; veja fotos

Lucho pendura as chuteiras após conquistar 29 títulos e defender clubes como Huracán, River Plate, Porto, Olympique de Marselha e Al-Rayyan. A história terminou no Furacão, após 164 jogos, 10 gols e quatro títulos em quase cinco anos.

Aos 40 anos, o argentino ainda pretende contribuir para o futebol. Lucho já fez um ano do curso da Escuela de Entrenadores Cesar Luis Menotti, reconhecido pela Associação do Futebol Argentino, e está cursando a Licença B da CBF.

“O futebol foi uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha vida. Sou agradecido a tudo que o futebol me proporcionou e me ensinou. E claro que você não pode prever tudo o que vai acontecer no futuro. Mas penso hoje em terminar os cursos de treinador. Tentar iniciar uma nova profissão nessa área”, disse ao site oficial.

O UmDois Esportes relembra 10 momentos de Lucho no Athletico.

A chegada: “Animal competitivo”

Logo em que foi anunciado como reforço do Athletico, em setembro de 2016, Lucho foi chamado de “animal competitivo” pelo técnico Paulo Autuori, que havia tentado trabalhar com o argentino em outros clubes.

"Ele é um excelente jogador. É um animal competitivo, entre aspas, porque está em um nível competitivo altíssimo e muito exigente. Ele vai ser um grande aporte na equipe, principalmente aos mais novos. Demos uma tacada muito certeira, estou bastante satisfeito", disse na época o atual diretor técnico do Furacão.

| Marcelo Andrade/ Arquivo Gazeta do Povo

"Final não se joga, se ganha"

Uma frase de Lucho se tornou lema no Athletico, dita em dezembro de 2018, contra o Junior Barranquilla, antes do primeiro jogo da final da Sul-Americana, e virou “regra” no CT do Caju.

"Se tem algo que eu acredito é que a final não se joga, a final se ganha", disse o capitão no vestiário do estádio Metropolitano, na Colômbia.

Lucho no vestiário da primeira final da Sul-Americana 2018
Lucho no vestiário da primeira final da Sul-Americana 2018| Reprodução/ Youtube

10 gols

Lucho González marcou no total dez gols pelo Athletico. O primeiro saiu na vitória sobre o Deportivo Capiatá, por 1 a 0, que classificou a equipe para a fase de grupos da Libertadores 2017. Naquele jogo decisivo, o volante sofreu uma lesão no aquecimento, mas insistiu em entrar na partida. Acabou piorando a lesão, mas fez o gol da classificação .

Naquele ano, o argentino ainda marcou nas partidas contra Universidad Católica, San Lorenzo, Santa Cruz, Atlético-GO e Sport.

Em 2018, Lucho fez contra o Ceará; em 2019 diante do Fluminense; e os dois últimos contra Jorge Wilstermann e Peñarol, no ano passado.

| Arquivo Gazeta do Povo

Vitória histórica contra o Boca

Athletico 3, Boca 0. A emblemática vitória do Furacão sobre os xeneizes, em abril de 2019, na terceira rodada da Libertadores, está entre os jogos que Lucho tem como marcante no coração.

Naquela temporada, o jogador vinha há um tempo sem atuar, mas começou como titular na Arena da Baixada. O argentino jogou mais adiantado, como camisa 10, ajudou na criação e ainda apareceu na área. Resultado: participou dos dois primeiros gols – Marco Ruben marcou todos da vitória.

Lucho comemora com Marco Ruben na vitória histórica contra o Boca Juniors
Lucho comemora com Marco Ruben na vitória histórica contra o Boca Juniors| Albari Rosa/Gazeta do Povo

Top-5

Com 164 jogos, o argentino se aposenta no Athletico entre os cinco jogadores com mais partidas disputadas no atual elenco: Nikão (270), Santos (220), Thiago Heleno (202) e Márcio Azevedo (169).

Suporte do clube em drama pessoal

Lucho quase teve a trajetória interrompida no Athletico. Ele chegou a ficar um breve período fora do clube, no final de 2017, quando enfrentou problemas com a ex-esposa ao mesmo tempo em que viu seu contrato acabar, mas foi recontratado pelo clube no início da temporada seguinte.

O Athletico deu apoio total ao jogador, com auxílio jurídico e psicológico. Na época, o clube chegou a divulgar um vídeo com um pronunciamento do então presidente, Luiz Sallim Emed, no qual fazia questão de defender Lucho e ressaltar suas qualidades. Além disso, uma das pessoas que convenceu Lucho a continuar no clube e renovar foi o técnico Fernando Diniz.

Encontro com ex-clube

Um jogador fica marcado em um clube pelas conquistas, mas nem só de bons momentos se faz um ídolo. Em 2019, o Athletico não conseguiu superar o River Plate, ex-clube de Lucho, e ficou com o vice da Recopa.

Em entrevista ao UmDois, o técnico Tiago Nunes lembrou de um gesto de Lucho naquela noite no Monumental, em Buenos Aires.

"Estávamos muito chateados, tínhamos acabado de receber a nossa premiação de segundo colocado. A maioria dos atletas estava saindo de campo e aí o Lucho chamou todos e cobrou que permanecessem até que o River recebesse a premiação. Isso demonstra um pouco o perfil dele que, mesmo num momento de derrota, chamou os seus companheiros para respeitar um adversário que havia acabado de nos derrotar. A liderança surge em vários momentos, não só nas vitórias, mas principalmente nas dificuldades. Foi um momento que me marcou e que vou carregar comigo para sempre”, recordou o treinador.

Lucho recebe a medalha de vice-campeão da Recopa, em 2019
Lucho recebe a medalha de vice-campeão da Recopa, em 2019| Jonathan Campos/Arquivo Gazeta do Povo

Camisa 10 para Maradona

Lucho trocou o tradicional número 3 em uma partida no ano passado. Em homenagem a Maradona, que havia falecido no dia 25 de novembro, o jogador atuou com a camisa 10 na partida contra o Palmeiras, na 23ª rodada do Brasileirão. Naquele jogo, ele entrou aos 17 minutos do segundo tempo no lugar de Léo Cittadini.

Fã declarado de Maradona, Lucho tem um desenho do ídolo tatuado na perna esquerda. Ele também foi treinado pelo craque na seleção argentina.

Lucho usou a camisa 10 em homenagem a Maradona, seu ídolo, em novembro de 2020
Lucho usou a camisa 10 em homenagem a Maradona, seu ídolo, em novembro de 2020| Fábio Wosniak/Athletico

Os títulos

Campeão em todos os clubes por onde passou, Lucho também conquistou títulos no Athletico. Foram quatro taças no Furacão, três deles inéditos e dois internacionais: a Sul-Americana de 2018, a J. League/Conmebol 2019, a Copa do Brasil 2019 e o Campeonato Paranaense de 2020.

Multicampeão, Lucho levanta a taça da Sul-Americana 2018
Multicampeão, Lucho levanta a taça da Sul-Americana 2018| Lineu Filho/Tribuna do Paraná

O adeus

No jogo contra o Aucas, Lucho encerrou a carreira como jogador. Foram quase cinco anos de Athletico, onde ajudou a conquistar títulos virou referência e conquistou uma legião de fãs.

Agora aposentado, Lucho vai continuar no futebol. Ele está tirando a Licença B da CBF e terminando a formação de treinador pela Associação do Futebol Argentino (AFA). Lucho é fã de Marcelo Bielsa, e também gosta de Jorge Sampaoli, Marcelo Gallardo e Pep Guardiola.

“Vou dizer que o Lucho González foi um jogador de muita sorte, um jogador que sempre dependeu e que sempre teve o apoio dos seus companheiros. Um profissional que sempre tentou ser positivo com todos que estavam à sua volta e em todos os momentos”.

Lucho González se despediu dos gramados contra o Aucas, pela Sul-Americana.
Lucho González se despediu dos gramados contra o Aucas, pela Sul-Americana.| Albari Rosa/Foto Digital/UmDois Esportes

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