Escolhido para comandar o time principal do Athletico, o português António Oliveira terá a maior chance da breve carreira. Aos 38 anos, Oliveira tem o perfil que o presidente Mario Celso Petraglia busca: jovem, estudioso e flexível para se adaptar ao modelo que o Furacão busca estabelecer. O risco para Oliveira será a pressão após uma temporada frustrante para a torcida.

Antônio José Cardoso de Oliveira é filho de um ídolo histórico de Portugal: o ex-meia e técnico Toni, considerado uma lenda do Benfica. Como jogador, o pai do atleticano atuou entre 1968 e 1981. Já como auxiliar e técnico, foram 12 anos no gigante português, entre 1982 e 1994.

O agora técnico do Furacão, que também é chamado de Toni em Portugal, seguiu os passos do pai. Iniciou a carreira como jogador no Benfica atuando como meia. Mas com apenas 23 anos, Oliveira iniciou o curso de Educação Física, em Lisboa.

Toni rodou alguns clubes de menor porte após deixar o Benfica e decidiu iniciar cedo a carreira de treinador. Começou como auxiliar do pai no Tractor, um dos maiores clubes do Irã, onde foram campeões da Taça Iraniana, em 2014.

“Conheci o António na faculdade, em 2006. Ele decidiu desde cedo investir o seu tempo na vertente acadêmica. Por isso, parou de jogar cedo. Depois da passagem pelo Irã, ele me ligou para ser seu auxiliar”, conta Valter Dias, auxiliar de Rui Vitória no Al-Nassr, da Arábia Saudita, e que ficou dois anos como assistente de António Oliveira no Kazma, do Kuwait, entre 2017 e 2019.

Valter Dias (à direita) ao lado de Toni e Antônio Oliveira após título no Kuwait
Valter Dias (à direita) ao lado de Toni e Antônio Oliveira após título no Kuwait| Arquivo pessoal

O Kazma era uma equipe de médio porte e Oliveira teve sua primeira experiência como técnico principaln enquanto o pai era o General Manager do clube, uma função próxima a que Autuori exerce do Furacão. Em duas temporadas, foi campeão da Taça do Kuwait.

“Não vai demorar para o Toni despontar. Seja no Brasil ou em Portugal. É um técnico que domina o vestiário. Eu já trabalhei com muitos treinadores, de diversas vertentes. Não é porque trabalhamos juntos, até porque quando eu faço essa análise também coloco minha reputação. Mas o Toni é diferenciado", garante Dias.

António Oliveira tem o perfil que o presidente do Athletico busca no mercado

António Oliveira possui a Licença Uefa A de treinadores europeus. O curso está somente um nível abaixo da Licença Pro, modelo exigido nas cinco maiores ligas do mundo: Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França.

Quem detalha o perfil tático de António Oliveira é Pedro Bouças, auxiliar-técnico de Jesualdo Ferreira no Boavista. Bouças e Oliveira trabalharam juntos no Santos, no ano passado, antes de Autuori chamar o português para trabalhar no Furacão. Eles também trabalharam juntos como comentaristas do Canal 11, em Portugal.

Pedro Bouças (à direita) ao lado da comissão de Jesualdo OIiveira no Santos
Pedro Bouças (à direita) ao lado da comissão de Jesualdo OIiveira no Santos| Divulgação Santos

“O Antônio tem um perfil que trabalha muito forte o lado tático. Ele preza por uma equipe rigorosa, mas que tem um perfil que os jogadores gostam. Ele é companheiro e exigente ao mesmo tempo. Ele tem um futuro brilhante. É jovem, tem conhecimento, vontade de crescer. O Athletico fez a melhor escolha possível”, crava Bouças.

O perfil estudioso e a capacidade de agregar treinamentos voltados para o futebol europeu com os jovens atletas da base casam com o perfil buscado por Mario Celso Petraglia. O dirigente deixa claro que está cansado de técnicos brasileiros que seguem o mesmo padrão e reclama da falta de estudos da classe.

O Athletico se consolidou como um clube vendedor nos últimos anos. Principalmente para clubes do segundo escalão europeu. Foi assim como Otávio, Hernani, Robson Bambu, Renan Lodi e Bruno Guimarães, que juntos renderam 63,5 milhões de euros.

"António prefere times que tenham posse e sejam agressivos. Mas não fica preso nessas ideias. Ele gosta de ler o jogo. Se tiver que colocar o time mais defensivo, o fará sem problemas. Ele também conhece o que os jovens jogadores precisam para jogar na Europa. E com certeza isso conta para os clubes brasileiros", analisa Valter Dias.

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