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Por que eles amam Lucho González; o presidente, os parceiros, o técnico, o irmão e o fã

Por que eles amam Lucho González; o presidente, os parceiros, o técnico, o irmão e o fã
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  • PorMonique Silva, especial para UmDois Esportes
  • 16/01/2021 20:44

São mais de 20 anos de carreira. Quase 30 títulos conquistados em seis clubes, passagem por seleção da Argentina e muita história para contar. Segundo argentino com mais títulos no futebol, o volante Lucho González chega aos 40 anos nesta terça-feira (19). Para o aniversário de "El Comandante", o UmDois Esportes ouviu várias pessoas que pudessem falar mais sobre o volante argentino.

Luis Óscar González foi criado no bairro Parque Patricios, em Buenos Aires, e revelado nas categorias de base do Huracán, onde ficou dos nove aos 18 anos. Apareceu para o mundo no River Plate, virou “El Comandante” em Portugal (Porto), jogou na França (Olympique de Marselha) e se aventurou pelo Qatar (Al-Rayyan) até chegar ao Athletico, em setembro de 2016.

Filho mais velho de Óscar e Maria Teresa, Lucho é torcedor declarado do Racing. Na infância, Lucho costumava ver as partidas de La Academia acompanhado do pai, mas nunca defendeu o clube do coração. Curiosamente, o Racing foi o primeiro adversário que Lucho enfrentou como profissional, quando estreou pelo Huracán, em 1999.

“Ser irmão de um jogador que é uma figura mundial como o Lucho é um orgulho enorme, por tudo que ele representa no futebol argentino, por ser humilde e tão incrível. Não tenho palavras para descrever o que sinto por ele, só tenho gratidão e carinho”, se derrete Maximiliano, o “Maxi”, irmão de Lucho que mora em Portugal.

Lucho González em seu início no Huracán, da Argentina. Foto: Arquivo Pessoal
Lucho González em seu início no Huracán, da Argentina. Foto: Arquivo Pessoal

Maxi conta que Lucho já mostrava ter personalidade desde pequeno, quando jogavam futebol ou até mesmo bocha pelos campos e parques de Buenos Aires. Orgulhoso pelo irmão, ele acha que ficou faltando apenas a conquista de um mundial na carreira.

"Quando ele começou a jogar na primeira divisão pelo Huracán eu não perdia nenhum jogo, ia a todos, foi uma época muito linda. E depois, ver tudo o que ele conseguiu... acho que só faltou ele levantar uma Copa do Mundo. E não falo só dos títulos, mas por ele ser o pilar da nossa família e um exemplo para todos. Para mim, ele é o melhor de todos. Ele é a minha vida".

Lucho, o irmão Maxi e a mãe Maria Teresa. Crédito: Arquivo pessoal.
Lucho, o irmão Maxi e a mãe Maria Teresa. Crédito: Arquivo pessoal.

D’Alessandro sobre Lucho: “Profissionalismo e representatividade”

Argentinos, líderes, experientes, campeões e ambos de 1991. Amigos de longa data, Lucho González e D’Alessandro compartilham idolatria e histórias desde que começaram a jogar juntos nas categorias de base da seleção argentina. Os compatriotas também se enfrentaram em lados opostos muitas vezes, quando Lucho defendia o Huracán e D’Ale vestia a camisa do River Plate.

Lucho e D’Ale se reencontraram no Millonarios e conquistaram o título do torneio Clausura, em 2003. No ano seguinte, foram campeões olímpicos em Atenas, sob o comando de Marcelo Bielsa. No mesmo ano, bateram na trave e ficaram com o vice da Copa América, após derrota nos pênaltis para o Brasil.

“A gente se conhece há muito tempo, desde as categorias de base já tínhamos criado uma boa relação. Nos enfrentamos muitas vezes como adversários e depois na seleção argentina nos demos muito bem, começamos a amizade que continua até hoje, dentro e fora de campo”, comenta o ex-jogador do Internacional, agora no Nacional-URU.

D’Ale brinca com o temperamento do amigo, mais calmo segundo ele, e exalta as qualidades do volante.

“É um cara com uma ascendência muito grande e respeitado. Tem uma personalidade diferente da minha, é mais tranquilo e calmo, mas no momento de se posicionar ele fala. Não é por acaso tudo que ele conquistou no futebol, e também chegar ao 40 anos jogando em alto nível. É simples, humilde, muito trabalhador, e tudo que conquistou foi com muita dedicação e esforço. É um exemplo. É difícil hoje conseguir ter amizade importante dentro do futebol, e o Lucho é um dos caras que eu levo como um cara amigo dentro do futebol, com caráter pelo que representa ao futebol”.

O meia acredita que Lucho terá sucesso como técnico.

“Seu profissionalismo o leva a continuar entregando coisas ao Athletico, sendo esse líder dentro e fora de campo, passando experiência que ele teve ao longo de quase 20 anos de carreira aos mais jovens e deixando um legado dentro do clube. E, de repente poder trabalhar no clube. Acredito que ele entregaria muito”, opina.

D’Ale também garantiu que vai ligar para Lucho nesta terça-feira (19), quando o amigo faz aniversário.

“A representatividade dele é muito grande no futebol mundial, e por ter conquistado títulos na Europa. Acho que continuar jogando aos 40 anos não é para qualquer um. Vou ligar para ele e dar os parabéns por tudo que conquistou e pelo que fez pelo futebol”.

Rei no Porto

Lucho defendeu o Porto por seis anos, somando as duas passagens pelo clube, entre 2005 e 2009, e depois de 2012 a 2014. Ele é o segundo jogador com mais partidas no Estádio do Dragão, inaugurado em 2003, com 118. Foi lá que o argentino ganhou o apelido de El Comandante, como relembra o jornalista Pedro Jorge da Cunha.

“Depois de mais uma grande exibição em Portugal, comandando o meio-campo do Porto, um jornal estampou a manchete com a frase ‘El Comandante Lucho’. A expressão pegou. No jogo seguinte, um grupo de torcedores foi ao estádio com uma faixa com esses dizeres e as pessoas adoraram. Curiosamente, o Lucho me confessou que no início não gostava da alcunha, mas que se acostumou e passou a adotar o gesto de continência – ele disse também que servia para procurar o filho na bancada. Os jornalistas gostaram porque a simbologia encaixava no perfil dele em campo: elegante, líder, sereno e sempre confiante com a bola”.

Pinto da Costa, presidente do Porto, é tão ligado a Lucho que batizou um de seus cachorros com o nome do jogador. Ele lembra um episódio que aconteceu em novembro de 2005, em um jogo do Porto com o Gil Vicente.

“Vencemos por 1 a 0, com um gol do Lucho logo no primeiro minuto do jogo. Nesse mesmo dia, o meu cão ‘Dragão’, e quem me conhece sabe bem o que os animais representam para mim, teve um filho a quem dei o nome de ‘Lucho’, pela coincidência de ter decidido aquele jogo. Esse Lucho, de quatro patas, foi ao longo de muitos anos um companheiro inestimável. Talvez não seja coincidência. Ter o Lucho no FC Porto foi um privilégio durante seis anos e ser amigo dele continuará sendo por toda a vida”.

De fã para ex-companheiro

Kelvin jogou com Lucho no Porto durante duas temporadas (2012/2013 e 2013/2014) e é prova do relacionamento do argentino com os mais jovens. Revelado no Paraná , o atacante chegou ao clube português aos 18 anos e viu de perto a idolatria dos torcedores do Dragão por Lucho.

“O Lucho é uma pessoa muito especial, um cara que eu via pela televisão. Quando cheguei ao Porto ele ainda não estava lá, mas depois voltou no meio da temporada. Ele já tinha a moral toda no clube e tratava todos com muito carinho e da mesma forma. Ele incentivava e lutava por todo mundo lá, via que todos tinham capacidade de jogar. Foi isso que me fez ser fã dele, de acompanhar a carreira dele. Quando o vi pessoalmente parecia que já tínhamos anos de convivência. Um jogador e pessoa que admiro muito”.

Hoje no Botafogo e com  27 anos, Kelvin relembra o convívio no dia a dia e o que aprendeu ao lado de Lucho.

“Ele sabia comandar o vestiário e era o verdadeiro capitão dentro e fora de campo. O que aprendi com ele foi essa liderança. Além dele, também com jogadores mais experientes como Zé Roberto e Hulk, pessoas extraordinárias e que nunca deixaram a humildade de lado. Hoje vejo as coisas diferentes e posso passar aos meninos que estão despontando no futebol para que aproveitem o momento, porque tudo passa muito rápido”.

Kelvin ficou marcado no Porto por ter feito o gol da vitória por 2 a 1 contra o rival Benfica, que valeu a conquista do título da temporada 2012-2013. E foi justamente no lugar de Lucho que o atacante entrou naquela partida, alcançando o status de herói pelo gol marcado aos 47 minutos do segundo tempo.

Lucho, à esquerda, e Kelvin, à direita, parceiros no Porto. Crédito: FC Porto.
Lucho, à esquerda, e Kelvin, à direita, parceiros no Porto. Crédito: FC Porto.

De torcedor para ídolo

Abbondanzieri, Cambiasso, Riquelme, Palermo, Palacio... Luka Maio, que se acostumou a acompanhar a trajetória de jogadores argentinos, custou a acreditar quando seu time do coração, o Athletico, anunciou a chegada de Lucho González, há pouco mais de quatro anos. De início, acreditou que pudesse ser uma jogada de marketing do clube em contratar o argentino campeão.

“Achei que ele iria ficar pouco tempo e ir embora. Pra mim, era um jogador com uma carreira tão gigante no futebol que eu não acreditei muito, mas não só jogou como ajudou a mudar o patamar do clube. O Lucho representa a vontade de vencer”, afirma ao UmDois Esportes.

Desde 2016, o torcedor passou a estampar o nome de Lucho em sua coleção de camisas do Athletico e virou fã declarado do jogador. Luka já teve a oportunidade de conhecer o ídolo pessoalmente e hoje virou defensor ferrenho do volante. Ultimamente, a discussão sobre a renovação ou não do jogador tem lhe custado algumas discussões “quentes” nas redes sociais.

“Eu acho que ele tem lugar nesse time quando ele quiser. Se daqui 10 anos ele quiser bater uma bola no profissional, o Athletico que dê um jeito de registrá-lo no BID [risos]. Brincadeiras à parte, acho que ele poderia jogar ainda, sim. Gostaria de vê-lo no Paranaense jogando com os jovens e passando tudo que ele tem de experiência. Depois disso, sonho com ele fazendo algo no clube, como é o Cocito hoje. São duas pessoas que têm a cara do Athletico”.

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