Por mais experiência que se adquira com o tempo, e as coberturas esportivas que vão do Erich George, em Rolândia, pelo Paranaense, ao Luzhniki, em Moscou, na final da Copa do Mundo, sem qualquer distinção de importância, as coisas se desenrolam sempre bem mais atropeladas do que se pode planejar. É o que estamos vendo para a decisão da Copa Sul-Americana, neste sábado (20), às 17 horas, no Estádio Centenário, entre Athletico e Red Bull Bragantino.

Chegamos ao aeroporto em Curitiba por volta das 4 horas da manhã e o avião decolou, manso, destino São Paulo, comigo, repórter Fernando Rudnick, fotógrafo Albari Rosa e a equipe do Globo Esporte, repórter Nadja Mauad e cinegrafista Weliton Martins.

Conexão rápida para Montevidéu, um lanche oferecido pela companhia aérea que, creio, deva servir de modelo para as viagens espaciais low cost do futuro, e horas depois deslizamos pela pista do Aeroporto Internacional de Carrasco, na sede do duelo sul-americano tipo B. Sempre de máscaras, que sufoca e protege.

E quando se desce na capital uruguaia, abre-se um portal para outro mundo: de horizontes compridos, céu que estala um azul infinito, pessoas gentis que, possivelmente, não se preocupam em gerar buzz sobre as próprias vidas nas redes sociais. Até mesmo os cachorros parecem ter uma visão de mundo bastante particular, e não apenas pela baixa estatura.

Pois foi a partir do primeiro contato com os locais, ao subirmos num Uber, digamos, mais informal do que a uberização das relações de trabalho poderia imaginar, que fomos descobrindo que só há hinchas de Peñarol na cidade. Ou, pelo menos, todos os motoristas e atendentes são apaixonados pelo Carbonero apenas três vezes campeão do Mundo e dono de cinco Libertadores.

Foi com alguma dificuldade que sentamos, finalmente, para almoçar, três milanesas que cumpriram a expectativa quando se pede o prato na Argentina e Uruguai: carne bem embalsamada em farinha e ovos batidos, bifes grandes o suficiente para servirem de cobertor em dias mais frios. Antes, uma entrada com língua que, ao descobrirmos exatamente o que era, perdeu em conceito, embora estivesse apetitosa.

Do almoço partimos para uma saga em busca do nosso carro e, após uma mal aprumada tour pela zona portuária de Montevidéu, descolamos a nave que, então, passou a ser conduzida pelo Albari, experiente em Copas do Mundo e direções. Para, em poucos minutos, descobrirmos, com um policial uruguaio bastante educativo, que por aqui só se anda de coche com as luzes acessas o tempo todo.

Próxima parada: Estádio Centenário. O objetivo era transmitir ao vivo das imediações do clássico palco Sul-Americano, mas a luz do entardecer, embora romântica, não serviu para ilustrar nossa apresentação, em imagem e som, sobre o clima prévio na capital do futebol sul-americano de sábado, 20 de novembro, até sábado, 27. Há muito o que se fazer com o sol poente de Montevidéu mais importante do que falar de soccer business.

Mas havia uma missão por cumprir e o desfecho só foi possível com o suporte especializado do Weliton, que desenrolou os mil nós de cabos de tecnologia moderada até que fosse possível entrarmos ao vivo, com o perdão da redundância, na live que está disponível abaixo.

E depois de mimetizarmos, em várias circunstâncias, nosso über narrador Galvão Bueno, de dentro de um caixote de vidro no hotel, de costas para a magnífica Rambla, não poderíamos terminar de outra forma que não aquecidos pela brasa de uma legítima parrilla uruguaia.

A decisão da Sul-Americana ainda vem aí. É há muito o que se ver em Montevidéu.

Até a próxima!

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