Dois meses depois de deixar o Athletico, o técnico João Correia ainda avalia qual será o próximo trabalho. Em entrevista exclusiva ao UmDois Esportes, o português de 32 anos tem o mesmo problema de Filipe Luís, ex-treinador do Flamengo, e também rejeita repetir os passos de Rafael Guanaes, atual comandante do Mirassol.
“Meu próximo passo não será na Europa. Não é uma coisa que eu queira porque estou com a Conmebol Pro, não com a UEFA Pro. O Filipe Luís está com o mesmo problema para trabalhar no mais alto nível da Europa. Eu necessito fazer pelo menos dois anos aqui, na Série A ou Série B”, aponta ele.
A comparação com Guanaes é válida, já que ambos estiveram à frente do time sub-20 do Furacão. Contudo, após a saída do Athletico, o técnico do Mirassol cavou espaço em equipes de menor expressão, como Sampaio Corrêa, Tombense e Grêmio Novorizontino. Ele também chegou a ser auxiliar novamente no Cruzeiro antes de emendar os trabalhos no Operário e Atlético-GO, até de se tornar sensação do Brasileirão 2025. O treinador ainda fez história ao classificar a equipe do interior paulista para a Libertadores.
Se muitos enxergam como arrogância, João Correia tem em mente que a obsessão pela vitória será a chave para crescer na carreira. Com esse olhar estratégico, em conjunto com o estafe, o português já sabe o que não deseja na própria trajetória.
“Olhamos para o [Rafael] Guanaes, que passou pela minha posição no sub-20. Ele deu quatro passos atrás depois da saída do Athletico. Eu sempre falo para as pessoas que é algo que eu não quero fazer. Sei para o que estou preparado e destinado, o que minha metodologia e a forma de trabalhar no dia a dia pode representar no futebol brasileiro. Qualquer clube que conte comigo e com essa ideia que fizemos no Athletico estará mais perto do seu objetivo e ganhar jogos”, avalia.
Português avalia clubes de outros países da América do Sul; veja quais
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Com o sucesso de Tiago Nunes na LDU, do Equador, e André Jardine, que deixou o América, do México, os países sul-americanos têm convencido treinadores brasileiros. É o caso também de Zé Ricardo, treinador no Sporting Cristal, do Peru, e até do veterano Mano Menezes, que aceitou a missão de tentar classificar os peruanos para a Copa do Mundo 2030.
Nesse contexto, João já esteve perto de um clube argentino e não descarta trabalhar em um país vizinho, apesar de ter rejeitado propostas de outros times sub-20.
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“Estamos a olhar muito para o mercado da América do Sul. Os mercados que eu estou estudando são Série B e Série A do Brasil, Uruguai, Chile e Argentina. De todos os contatos que tive até agora, e da proximidade, o que me agradou mais e que estivemos mais próximos foi na Primeira Divisão da Argentina, em um time que já ganhou a Sul-Americana e era algo que eu queria”, aponta.
Devido à pouca idade, já que completa 33 anos em agosto, João Correia também enfrenta dificuldades no mercado brasileiro depois da passagem pelo Athletico. Apesar da vasta experiência na Europa e no Brasil, o treinador revela que os dirigentes já pensam em um momento conturbado e preferem treinadores com mais casca.
“Estou encontrando um conservadorismo dos diretores nos clubes que eu vejo como que encaixam naquilo que é meu perfil. O que é o conservadorismo? A maior parte, digo 80%, pensa no ‘quando eu perder, tenho que ter um treinador que tenha tido não sei quantos anos de experiência’. É uma barreira que temos encontrado dentro do Brasil, mas pode ser que, em breve, se encontre um projeto que queira vencer, ter um acesso e ou quer um treinador vencedor e que pensa apenas nisso. Eu quero um time que me permita continuar a conquistar grandes coisas e evoluir na carreira“, encerrou.