Sandro Moser é jornalista, escritor, autor da biografia "Sicupira - Vida e gols de um craque chamado Barcímio". Convidado pelo UmDois Esportes, o atleticano encarou o desafio de recontar a odisseia atleticana que completa 20 anos nesta quinta-feira (23), data do segundo jogo da decisão contra o São Caetano, vitória por 1 a 0. Veja todos os episódios ao final do texto!

Nunca acreditei em ocultismos, lâminas sagradas, tarot, profecias ou poltergeists. Até 2001, era um jovem ateu não-praticante que, no máximo, tinha lido os livros budistas de Jack Kerouac e ouvido Raul Seixas. No limite, fazia promessas a um Deus desocupado nos últimos minutos de um jogo que o Athletico precisasse empatar ou virar.

Foi em 2001 que descobri a metafísica do futebol. A vida não pode ser "só isso que se vê" ou, pior ainda, o que o VAR acha que existiu. Tem que ser "um pouco mais" para se explicar a sequência de eventos caóticos, furos de calendário, golpes de sorte, mudanças de vento, viradas e, pelo menos, um caso de possessão por bom demônio que confluíram para que entre agosto e dezembro o então nominado Clube Atlético Paranaense passasse de coadjuvante promissor para o grande e incontestável campeão nacional.

Neste ponto, alguém cheio de razão há de objetar: "Alto lá! O Athletico é o time que mais se preparou para ser grande. Foi programado para ser campeão com investimento pesado em estrutura, ciência do esporte, planejamento inovador e marketing".

Claro que foi. Esta é a razão primeira da conquista que hoje completa 20 anos. O Athletico – à época com 77 anos de vida e sem o H – esteve na vanguarda das transformações do futebol nacional e continental na virada do milênio. Fez antes de todos o que muita gente boa ainda nem começou a fazer e aquilo que o Ronaldo pensa que fará.

Mesmo assim, o título de 2001 queimou muitas etapas de um já ousado planejamento. E não cumpriu o roteiro de compliance de time perfeito: trocou quatro vezes de treinador no ano, mas depois de um conturbado começo, "o time com mais bandidos", como vaticinou o técnico Geninho, saiu campeão. O primeiro campeão do novo milênio. O último caneco de um time de "fora do eixo".

Valterci Santos/Arquivo/Gazeta do Povo
Valterci Santos/Arquivo/Gazeta do Povo| GAZETA

Há dez dias, o UmDois Esportes deu-me a chance de ir à festa organizada pelos jogadores para comemorar os 20 anos do título de 2001, numa chácara perto de Curitiba. Lá, entre muitos chopes, conversei com os ex-atletas, membros da comissão técnica e diretoria e outros personagens.

E mais de 7 mil noites depois, esta é a minha tentativa de entender como tudo deu tão certo naquele dezembro.

Leia todos os episódios da série especial sobre os 20 anos do título do Athletico de 2001

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