Qual o motivo de tanta violência e intolerância no futebol? A pergunta é séria. Não consigo compreender esse tsunami de irracionalidade que coincide com o retorno do público aos estádios após um longo hiato causado pela pandemia de Covid-19.

Sim, existia violência antes. E muita. Mas agora, aparentemente, chegamos a um nível de involução da espécie. O Flamengo eliminou o Athletico nessa quarta-feira (17), na Copa do Brasil, e o que se sucedeu foi uma enxurrada de vídeos que retratam a mais pura estupidez humana.

https://twitter.com/imprensapra/status/1560253172244955136?s=24&t=qJTXADxG0jEE54ggrWsvMQ

O cardápio vai de torcedores flamenguistas ameaçados em um restaurante de Curitiba, horas após a partida, até brigas de rua nas imediações da Arena da Baixada, em encontros de rubro-negros paranaenses e cariocas. Cenas vergonhosas.

Também tivemos jornalista/influenciador especializado no Flamengo sendo coagido de forma ridícula na área de imprensa do estádio e policiais militares, mais uma vez, sendo truculentos e usando a cavalaria para “dispersar” torcedores. Nem parece que no fim de julho uma vida se perdeu durante um jogo de futebol, após abordagem desastrada da PM.

https://twitter.com/fontana_andre/status/1560285498819624965

Sou pai de uma menina de sete anos de idade e tenho medo de levá-la ao estádio nos dias de hoje. Minha esposa, Nadja, que praticamente vive em estádios, pensa o mesmo. A hostilidade bate recordes atualmente – e não preciso nem falar dos inúmeros casos de ataques a ônibus de clubes ou diretamente a jogadores. Cenas que acontecem rodada após rodada do Brasileirão.

Qual a lógica de ameaçar ou agredir outra pessoa por causa da camisa que ela veste, por causa de uma paixão diferente da sua? Não existe justificativa para obrigar alguém a deixar uma lanchonete somente por que ela não ostenta o mesmo distintivo que você. É irracional.

O esporte, não só o futebol, não existiria sem o contrário. Sem o adversário, sem o rival. Mas a guerra precisa permanecer dentro das regras, em campo. Nas arquibancadas, não há coisa mais legal do que assistir a um clássico com torcidas divididas.

Infelizmente, do jeito que as coisas estão, quem viveu esses tempos, viveu. A torcida única ganha mais força a cada dia neste país. E a vitória dessa ideia é a derrota de todos. Da sociedade. É a prova de que o futebol reflete, como nunca, os novos tempos de intolerância.

E há quem dizia que voltaríamos melhores depois da pandemia.