Personagens

Eles deixaram o Athletico de graça rumo à Europa; um está em alta, o outro em baixa

Jaú, à esquerda, em ação pelo Avaí; Marcos Antônio, à direita, comemora pelo Shakhtar
Jaú, à esquerda, em ação pelo Avaí; Marcos Antônio, à direita, comemora pelo Shakhtar| Foto: Montagem com fotos de Criciúma/Divulgação e Shakhtar/Divulgação
  • Por Julio Filho
  • 07/12/2020 12:07

No intervalo de dois anos, duas das principais promessas das categorias de base do Athletico deixaram o clube de graça, em meio a polêmicas, e rumaram ao futebol europeu.

Em 2016, o atacante Vinícius Jaú, 18 anos, trocou o Furacão pelo Benfica, de Portugal. Dois anos depois, foi a vez do jovem volante Marcos Antônio, também de 18 anos, limpar o armário no CT do Caju e acertar com o também português Estoril.

Apesar das semelhanças na forma como saíram do Athletico, sem render compensação financeira ao clube, as carreiras da dupla tomaram caminhos opostos.

Enquanto Marcos Bahia, como também é conhecido, se consolida no Shakhtar, da Ucrânia, como uma das principais promessas brasileiras no Velho Continente, Jaú tenta um recomeço no Avaí, na Série B do Brasileirão.

Sonho frustrado de jogar no Athletico e rótulo de "novo Fernandinho"

É desta maneira que veículos estrangeiros têm rotulado Marcos Antônio, após sua rápida evolução no Shakhtar.

Ainda no Furacão, o meia já atraía atenção após se destacar na seleção brasileira sub-17 e ainda não ter, àquela época, vínculo profissional com o clube.

Após deixar o Athletico, o meio-campista baixinho passou rapidamente pelo modesto Estoril, de Portugal, antes de ser comprado pelo Shakhtar, em 2019, por 3,5 milhões de euros.

Ele já soma 56 partidas e cinco gols com a camisa laranja dos ucranianos, entre Liga Europa, Liga dos Campeões, além das disputas locais.

Marcos Bahia foi um do grandes destaques da seleção sub-17 em 2017. Foto: Divulgação/CBF.
Marcos Bahia foi um do grandes destaques da seleção sub-17 em 2017. Foto: Divulgação/CBF.

O fato ter saído da base rubro-negra e atuar na mesma posição de Fernandinho, que por sua vez fez história no Shakhtar, reforça a comparação.

“Excelente passador de bolas, Marcos Antônio raramente tenta algo muito difícil com ela nos pés. Em vez disso, é a velocidade com que é capaz de receber a bola antes de devolvê-la para um companheiro de time que o ajuda a se destacar de outros meias da sua idade”, detalhou reportagem do Goal.com, no final do ano passado.

Marcos Antônio sonhava em jogar no Athletico, mas briga de empresário com Petraglia o forçou a sair. Foto: Divulgação/Shakhtar
Marcos Antônio sonhava em jogar no Athletico, mas briga de empresário com Petraglia o forçou a sair. Foto: Divulgação/Shakhtar

Apesar de ter chegado ao Athletico aos 14 anos, a jovem promessa nunca vestiu a camisa do time principal.

Na ocasião de sua saída, uma briga entre Mario Celso Petraglia e o empresário do jovem, Bruno Paiva, da OTB Sports, mesma empresa que tentou trazer Seedorf para o Athletico, fizeram com que ficasse na “geladeira” do CT do Caju até poder deixar o clube, ao fim de seu vínculo.

"Saí do Athletico de um jeito que não queria, queria ter vestido a camisa do time principal, mas isto não aconteceu", declarou o atleta em entrevista no mês passado, ao Goal.com.

"Naquele momento, o clube não pensou em mim e fiquei muito triste. Tive que seguir a vida, a carreira. Eu tinha o sonho de ser profissional e continuar no Athletico, mas não aconteceu", relembrou.

De promessa de 30 milhões de euros ao recomeço na Série B

A briga de Vinícius Jaú com o Athletico chegou a parar na delegacia. Em 2015, representantes do atacante acusaram o clube de pressionar e constranger o jovem a assinar um contrato profissional.

Por causa disso, Jaú deixou o CT e registrou Boletim de Ocorrências contra o Athletico.

No mesmo ano, Jaú passou rapidamente pelo rival Coritiba, que acabou desistindo de contratá-lo após ser notificado pelo Athletico do imbróglio jurídico envolvendo a promessa. Em 2016, o jogador fecharia com o Benfica, de Portugal.

Jaú era uma das grandes esperanças da base do Athletico. Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Jaú era uma das grandes esperanças da base do Athletico. Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

O Furacão chegou a acionar a Fifa, cobrando 30 milhões de euros do clube português, mas em 2019 o desfecho da ação foi favorável ao Benfica.

Em Portugal, no entanto, não conseguiu se firmar. Disputou partidas pelas equipes sub-19, sub-23 e equipe B dos Encarnados, sem nunca subir ao time principal.

“Fui muito novo para Portugal”, reconheceu Jaú no início deste ano, após fechar contrato de cinco anos com o Avaí.

“Claro que queria ter evoluído, ter tido mais chances, chegar no time principal do Benfica. Mas infelizmente tive muitas lesões no começo, demorei a me adaptar ao futebol europeu. Foram cinco, seis lesões, uma atrás da outra”, prosseguiu.

Pelo time catarinense, Jaú já entrou em campo vinte vezes, mas ainda não marcou gols.

Jaú em apresentação no Benfica, onde nunca jogou pelo time principal. Foto: Divulgação/Benfica.
Jaú em apresentação no Benfica, onde nunca jogou pelo time principal. Foto: Divulgação/Benfica.
Participe da conversa!
0

    Comentários [ 0 ]

    O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.