As amigas Elaine Moraes e Rubia Bail circulam pela esplanada da Buenos Aires com um ar de saudosismo. Vizinhos da Arena da Baixada, André, o filho Davi e o amigo Jean não escondem a saudade de casa, como se referem ao estádio. O comerciante Cléber Veiga contabiliza as dívidas após mais de um ano sem a presença de público devido à pandemia.

Em comum, os torcedores do Athletico dividem o vazio. Acostumados à movimentação dos arredores da Baixada em dia de jogo, com filas, “esquenta”, encontros, adrenalina e toda a atmosfera, hoje os atleticanos se adaptaram a uma nova realidade e passaram a acompanhar o Furacão à distância.

Depois de mais de 28 meses, o Athletico voltou a receber uma partida de Copa Sul-Americana na Arena da Baixada. Na quarta-feira (28), o Furacão venceu o Metropolitanos-VEN por 1 a 0, mantendo 100% de aproveitamento na competição. Em um ambiente resumido à delegações enxutas e poucos membros da imprensa no estádio, os comandados de António Oliveira e Paulo Autuori conquistaram a segunda vitória pelo Grupo D do torneio.

O único gol da partida foi de Renato Kayzer, no começo do segundo tempo. O atacante, que chegou ao Athletico em setembro do ano passado, não vê a hora de estar perto dos torcedores.

"Nós, jogadores, sentimos muita falta da torcida, o nosso 12º jogador. Quando liberada, a Arena sempre estava lotada e estou ansioso por esse momento. Se Deus quiser e passarmos por esse momento difícil que estamos vivendo, para as coisas voltarem ao normal. Ver a Arena lotada será muito bom", disse o jogador, em entrevista coletiva à imprensa após o jogo.

Amor à distância

André Fontana mora com o filho Davi a duas quadras da Arena da Baixada. Figurinhas carimbadas nos jogos do Furacão, eles não imaginavam que o jogo contra o Peñarol, em março do ano passado, pela fase de grupos da Libertadores, seria o penúltimo dos dois na arquibancada.

"A gente costuma vir passear nos arredores da Baixada para matar um pouco a saudade. Às vezes passamos na loja do clube para dar uma olhada nas promoções. Mas quase sempre estamos passando pelo estádio, a nossa segunda casa", disse o atleticano, acompanhado pelo filho de 11 anos.

O Athletico não joga diante da torcida desde o dia 4 de fevereiro de 2020, quando venceu o Rio Branco por 1 a 0, pela 10ª rodada do Campeonato Paranaense.

Torcida só do lado de fora: Jean, o pequeno Davi e André, antes de Athletico x Metropolitanos (Foto: Monique Silva)
Torcida só do lado de fora: Jean, o pequeno Davi e André, antes de Athletico x Metropolitanos (Foto: Monique Silva)

Jean mora em um dos prédios colados ao estádio, em frente à entrada da Brasílio Itiberê. Sócio do clube, ele compareceu a todos os jogos desde que passou a ser vizinho da Arena, há três anos.

"Vou a pé para o trabalho e o estádio sempre está no meu caminho. Faz muita falta poder ir aos jogos. Eu vejo a Arena da janela de casa e é triste escutar o Athletico jogando e não poder estar lá dentro", disse.

As amigas Elaine Moraes e Rubia Bail aproveitaram a tarde de sol para uma breve visita à loja do clube, na rua Buenos Aires, horas antes da partida contra o Metropolitanos. Também vizinhas da Arena, elas lamentam o triste cenário da pandemia.

"Não chegamos a vir nos jogos em 2020, e depois logo tudo fechou. Hoje viemos caminhar em volta do estádio para recordar os belos tempos. A gente queria poder fazer a visita, mas infelizmente ainda está proibido. Esperamos que a situação melhore e que possamos voltar a frequentar a Arena", disse Elaine, que aproveitou o passeio para comprar uma camisa na loja do clube.

As amigas atleticanas Elaine e Rubia: passadinha na loja do clube para matar as saudades (Foto: Monique Silva)
As amigas atleticanas Elaine e Rubia: passadinha na loja do clube para matar as saudades (Foto: Monique Silva)

Prejuízo incalculável

Proprietário do Kamysas Bar há quase dez anos, Cléber Veiga ainda contabiliza o prejuízo financeiro ao longo de mais de um ano sem ver o movimento tradicional da rua Brasílio Itiberê em dias de jogo.

"O movimento caiu 100%. Temos alvará para trabalhar como lanchonete, e estamos sobrevivendo com o nosso trabalho aos finais de semana, mas com muitas restrições. Eu só adquiri dívidas. Ficamos um período fechado, é muito complicado de trabalhar. Agora só eu e minha mãe tocamos o bar".

O local, que costumava estar cheio e era ponto de encontro de atleticanos antes e depois das partidas do Furacão na Arena da Baixada, ficou fechado por quatro meses, de novembro do ano passado até março, durante as medidas mais restritivas por conta do avanço da pandemia.

Mesmo com a flexibilização para o comércio, o bar teve queda brutal no faturamento. Cléber precisou dispensar funcionários e hoje administra o estabelecimento com dificuldades.

"É triste pela parte financeira, mas também, claro, pela situação que o povo está passando com essa pandemia, num ambiente de insegurança, medo e sem perspectivas. É muito complicado. A nossa perspectiva é manter o bar aberto, só isso, tentar pagar o máximo das contas, que estão atrasadas. A gente não sabe o que vai acontecer amanhã", contou Cléber, que é sócio do Athletico e costumava "escapar" do bar para acompanhar os jogos na Arena.

Cléber Veiga, proprietário de comércio em frente à Arena: prejuízo financeiro e sem perspectivas (Foto: Monique Silva)
Cléber Veiga, proprietário de comércio em frente à Arena: prejuízo financeiro e sem perspectivas (Foto: Monique Silva)

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