À exceção do amor pela amada, há amores que, às vezes, resolvem descansar. Instalam-se em algum lugar da alma, e lá ficam quietinhos, parecendo já terem cumprido a sua missão. Mas vejam vocês o que é o Athletico. Provoca um sentimento que quando retorna o faz com tanta intensidade que parece ter nascido um dia desses.

Estava eu vendo o jogo, em Araraquara, e confesso que meu espírito estava acomodado. Parecia que tinha a certeza de um fato, a vitória, no caso.

Mas, eis, que aos 27 minutos da etapa final, o goleiro Santos, saiu da meta e da área para ter com uma bola quase morta. Erra o chute, furando bola. E um rapaz de nome Fábio Fau, estando por ali, dominou-a, um tanto constrangido, outro tanto envergonhado, empurrou-a para redes rubro-negras.

Com esse gol paulista, o Furacão estava sendo enterrado na Segundona. E o goleiro Santos, vejam vocês, que todos consideram o maior depois do Caju, estava correndo o risco de mudar a sua identidade histórica. Poderia ser uma espécie de coveiro diante do fato do Athletico não voltar ao Brasileirão.

A vida me ensinou que não há nada mais dolorido do que a injustiça. Com Santos, seria a pior delas, que é a passional. Cruel e sombria, não teria volta. De melhor goleiro depois de Caju, Santos teria a identidade de “coveiro”.

Confesso que a partir daí, já não sabia que torcia pelo Athletico por ser Athletico, ou pelo Athletico por causa de Santos. Só sei que todos os sentimentos explodiram quando o menino João Cruz, lá de longe, sem ângulo, cobrando uma falta, fez com que a bola de tão alta recebesse um toque divino e caísse atrás do goleiro Dênis Junior, 1 x 1.

E logo depois, aos 50 minutos, Leozinho cruzou para a pequena área, e Renan Peixoto, que voltando a jogar, voltou como predestinado. De cabeça, fez dois a um.

Ave, Athletico!
Ganhou e está prestes a voltar ao Brasileirão.
De repente, numa dessas voltas da vida, como campeão.

Jogadores comemoram vitória sobre a Ferroviária. (Foto: Jeferson de Paula/Pera Photo Press/Gazeta Press).

Coritiba, um campeão bem longe daqui

Um público de 33 mil coxas foi ao Couto Pereira ver o Coritiba voltar ao Brasileirão e ser campeão da Segundona. De lá, saiu com um copo cheio e um copo vazio. Formalizou o ganho da vaga para o Brasileirão, mas, ainda, não ganhou o título. Ao empatar sem gols com o fraco Athletic, debaixo de vaias, vejam só, transferiu a possivel conquista para bem longe aqui, para Manaus, terra do pirarucu de casaca.

Não se compreendem as vaias, porque o objetivo imediato, que era a volta à Série A, fora alcançado sem traumas, com sobras de pontos, sem depender de qualquer resultado alheio.

Talvez, os coxas tenham vaiado já para começar a pressão sobre o Coritiba SAF para 2026. Devem ter vaido pela consciência de que o time, a exceção de Morisco, Jacy e Ronier, tenha que entrar em uma barca e ir embora do Couto.

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