O advogado da família de Maria Cristina José Soares, professora que morreu após ter sido atropelada pelo carro dirigido por Marcinho, em dezembro do ano passado, se prepara para entrar na Justiça com uma ação contra o jogador. O acidente fatal ocorreu em dezembro do ano passado – o marido, Alexandre Silva Lima, morreu no local, e Maria faleceu seis dias após ter sido internada em um hospital particular no Rio de Janeiro, com ferimentos graves. O lateral-direito foi anunciado pelo Athletico no último domingo (28).

Marcio Albuquerque, que defende a família da professora, argumenta que a ação de indenização independe do pedido de acordo de não persecução penal (ANPP), por parte da defesa do jogador, que busca evitar o processo criminal.

“A indenização é cabível pelo fato em si que ocorreu. Já está comprovado que ele dirigia o carro, que está em nome da empresa do pai dele. Isso independe do ANPP ou de aceitação ou não da denúncia”, explicou em contato com o UmDois Esportes.

De acordo com o advogado, a defesa de Marcinho entrou em contato na última segunda-feira (29) para falar sobre o interesse em indenizar as vítimas do acidente. Albuquerque, porém, ressalta que na época do ocorrido não houve nenhum tipo de assistência por parte do jogador.

O UmDois entrou em contato com Gabriel Habib, que defende Marcinho, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.

Em janeiro, Marcinho foi indiciado pelo crime de duplo homicídio culposo. Em caso de condenação na Justiça, o lateral pode estar sujeito a uma pena que varia de dois a quatro anos de detenção por cada uma das duas mortes. O inquérito policial foi concluído no começo do ano pelo delegado Alan Luxardo.

Família de vítimas abalada com contratação: "Como se fosse um prêmio ao jogador"

A notícia da contratação de Marcinho pelo Athletico trouxe abalo às famílias de Alexandre Silva Lima e Maria Cristina José Soares, segundo o advogado Marcio Albuquerque. O casal foi vítima fatal do acidente ocorrido em dezembro do ano passado – Alexandre morreu no local, e Maria faleceu seis dias após ter sido internada em um hospital particular no Rio de Janeiro, com ferimentos graves.

Há exatos três meses após as mortes, o sentimento de indignação aumentou entre os parentes.

“Os familiares ainda estão muito abalados, e realmente não gostaram da notícia. Caiu como se fosse um prêmio ao jogador. Ele sequer indenizou as vítimas e já ganha um contrato? Ele não deveria pensar primeiro em indenizá-las?”, questionou o advogado.

Marcio Albuquerque, advogado de uma das vítimas

Maria Cristina, de 66 anos, e Alexandre, de 44, eram professores do Cefet/RJ – ela, do curso de engenharia ambiental, e ele, de engenharia mecânica.  Eles viviam juntos há 12 anos. Em depoimento, cinco dias após o acidente, o jogador admitiu ser o condutor do veículo que atingiu o casal. O carro, um modelo Mini Cooper, foi encontrado abandonado a cerca de 600 metros do local da batida.

A defesa de Marcinho alegou que o jogador não estava embriagado e o carro trafegava a uma velocidade de 60 km/h no momento do atropelamento. Além disso, também alegou que o casal de professores entrou na frente do carro e que atravessou fora da faixa de pedestres. O jogador disse que não socorreu a vítimas por medo de linchamento.

A investigação apontou que o veículo dirigido pelo jogador estava a uma velocidade maior do que a informada na hora do acidente.

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