Muitos clubes do futebol brasileiro vivem uma situação financeira delicada, com dívidas na casa do bilhão, mas o cenário no Athletico é completamente diferente. Com as contas em dia, o principal compromisso financeiro do Rubro-Negro é o pagamento da dívida referente à reforma da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014.

A modernização do estádio aconteceu após um acordo tripartite entre o Athletico, a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Paraná. Após anos de impasses sobre quanto seria pago por cada parte, especialmente depois do aumento dos valores da obra, o assunto está se encaminhando para a reta final.

Após um documento assinado pelo então prefeito de Curitiba, Rafael Greca, e pelo presidente Mario Celso Petraglia, em novembro de 2022, o novo acordo saiu do papel e os pagamentos já estão sendo realizados.

“O que nós estamos discutindo é um pedaço muito pequeno perto do tamanho que nós tínhamos. A dívida chegou do Athletico a R$ 1,2 bilhão e o acordo foi de R$ 600 milhões. Além disso, município e Athletico complementaram em R$ 100 milhões o acordo tripartite”, afirmou o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, que trabalha para o Athletico no caso e é presidente da OAB-PR (Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná), em entrevista ao podcast Carneiro & Mafuz.

Athletico já pagou mais de R$ 240 milhões na dívida da Arena da Baixada

O primeiro pagamento foi feito em 2023, com um PIX de R$ 50 milhões como entrada. Já a primeira parcela foi paga em 2024, no valor de R$ 67,6 milhões. Na metade de 2025, o clube pagou mais uma parcela de R$ 67,5 milhões. E, neste ano, pagou mais R$ 40,7 milhões.

Além desses valores, o Athletico também pagou os honorários advocatícios, que chegaram a R$ 23,4 milhões. Com isso, o total já desembolsado pelo clube é de R$ 241,3 milhões.

O Governo do Paraná também cumpriu sua parte no acordo, com o repasse de R$ 75 milhões ao Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) em 2024. Já a participação da Prefeitura de Curitiba ficou em R$ 43,3 milhões, após descontos referentes a valores que o Athletico ainda devia ao município por desapropriações e pelo prédio de imprensa da Arena.

Na metade do ano passado, Petraglia disparou contra a Prefeitura de Curitiba, dizendo que a administração municipal não estaria cumprindo o que havia sido selado no acordo tripartite. O município corre para que o Athletico se torne legalmente dono dos três imóveis desapropriados para as obras na Arena. A PGM informou que o projeto de lei “está em fase final” para ser remetido à Câmara.

“O novo parcelamento estabeleceu um valor anual que cabe dentro do orçamento do Athletico. Embora sejam R$ 62 milhões, R$ 20 milhões vêm do potencial construtivo. Estamos no terceiro ano depois do acordo e tudo foi quitado em dia”, ressaltou o advogado.

O que falta para o pagamento da Arena?

Arena da Baixada, estádio do Athletico. (Foto: Robson Mafra/AGIF/Folhapress).

Para os próximos pagamentos, a discussão está na situação do potencial construtivo. Pelo acordo, parte das parcelas seria paga com os recursos obtidos pela comercialização desses títulos, mas o ritmo de venda depende do mercado.

O advogado do Athletico destacou que uma das alternativas em discussão é substituir o potencial construtivo por precatórios.

“Como o município assinou acordo dizendo: ‘Eu tenho que pagar tantos milhões, pode pagar emitindo potencial construtivo ou precatório’. Precatório paga no orçamento seguinte, potencial construtivo depende do mercado e o ritmo de venda não está no controle de ninguém”, explicou.

“A Assembleia já assinou Lei Estadual que permite a Fomento receber precatório no lugar de potencial construtivo. Mas há outras variáveis na mesa que não foram dirimidas a ponto de resolver o tema antes do pagamento da última parcela”, complementou Pereira.

Futuros pagamentos da Arena da Baixada não comprometem caixa do Athletico

A parte do Athletico foi dividida em 15 parcelas anuais, que vão diminuindo ao longo dos anos. Com o caixa do clube equacionado, o advogado vê o Rubro-Negro sem maiores preocupações para quitar a dívida.

“O Athletico tem patrimônio líquido de R$ 1 bilhão, ativo imobilizado em perfeitas condições, que não precisa de investimento de nada se vier uma SAF, e tem um endividamento que é o menor no Brasil. A dívida na Arena é a única do Athletico e está equacionada no fluxo orçamentário”, afirmou o advogado.

Pereira também ressaltou que o acordo de naming rights com a Ligga Telecom, rescindido pela empresa no ano passado, poderia ter sido utilizado para quitar a dívida da Arena. Com a saída antecipada da empresa, o valor que o Athletico tem a receber após a decisão judicial deve ser suficiente apenas para ajudar no pagamento da parcela do próximo ano.

“A Ligga rompeu o acordo. Nós ganhamos na Justiça agora, a Ligga pagou R$ 12 milhões e a seguradora que garantiu a execução foi intimada a depositar o valor remanescente. São mais R$ 26 ou R$ 27 milhões, valor que pode ser usado para o pagamento do ano que vem. O ideal era a Ligga cumprir o acordo. Eles saíram antes da janela do acordo e não indenizaram. O comportamento da Ligga foi desleal do ponto de vista contratual. Invocaram uma série de motivos. Alegaram rebaixamento, que o presidente teria xingado a torcida, como se fosse alterar a equação do contrato”, afirmou o advogado.

Pereira destacou que um novo contrato de naming rights seria a melhor solução para eliminar a dívida da Arena, mas que o caixa do clube para os próximos anos é capaz de manter os pagamentos em dia.

“Melhor seria contrato de naming rights que ‘matasse’ isso. Athletico deve faturar cerca de R$ 700 milhões neste ano, é um dos cinco principais clubes que mais produziram dinheiro vendendo jogadores nos últimos dez anos, fica junto com Flamengo e Palmeiras”, complementou o presidente da OAB-PR.

Assista ao podcast Carneiro & Mafuz #151

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